Se, ao comer alguns alimentos, você percebe desconfortos digestivos, inchaço abdominal e até mal-estar, esse problema pode estar relacionado à doença celíaca.
Apesar de muitas pessoas associarem a condição apenas a uma sensibilidade ao glúten, a doença celíaca é uma condição autoimune que pode afetar o intestino e interferir na absorção adequada de nutrientes pelo organismo.
Não se assuste: a doença é mais comum do que muitas pessoas imaginam. Estudos mostram que ela pode surgir em qualquer idade, mas costuma ser observada com maior frequência em crianças entre seis meses e cinco anos e apresenta maior incidência em mulheres.
O que é doença celíaca? E por que ela faz mal em algumas pessoas?
O glúten é uma proteína encontrada principalmente no trigo, centeio, cevada e seus derivados. Em alimentos como pães, massas e bolos, ele ajuda a dar elasticidade e estrutura às preparações.
Em pessoas geneticamente predispostas, a ingestão do glúten desencadeia uma resposta imunológica exagerada. Esse processo provoca inflamação no intestino delgado e pode prejudicar a absorção de vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes.
No entanto, nem todas as pessoas apresentam sintomas claros. Em alguns casos, a doença pode permanecer sem diagnóstico durante anos, o que dificulta o acompanhamento adequado.
Leia mais: O intestino desempenha funções importantes para o organismo além da digestão. Entenda como a microbiota intestinal influencia a saúde e o equilíbrio do corpo.
Quais são os sintomas da doença celíaca?
Os sintomas podem variar bastante de pessoa para pessoa e se manifestar de formas diferentes conforme a idade e o quadro clínico.
Doença celíaca em crianças — a forma clássica costuma surgir entre o primeiro e terceiro ano de vida, principalmente após a introdução de alimentos que contêm glúten. Entre os sintomas mais comuns estão diarreia crônica, anemia ferropriva, vômitos, dores abdominais, barriga inchada, perda de apetite e dificuldades no crescimento.
Doença celíaca em adultos — em muitos casos, os sintomas podem ser menos evidentes e até confundidos com outras condições. As manifestações mais frequentes incluem anemia resistente ao tratamento, prisão de ventre crônica, fadiga, osteoporose e alterações no esmalte dental.
Já nos quadros assintomáticos, o paciente pode não apresentar sinais perceptíveis. Nesses casos, a investigação médica e exames específicos são fundamentais para identificar alterações associadas à doença.
Doença celíaca e sintomas de pele: existe relação?
Sim. A doença celíaca pode apresentar manifestações além do intestino. Uma das mais conhecidas é a dermatite herpetiforme, uma condição que provoca lesões na pele relacionadas à resposta imunológica desencadeada pelo glúten.
Entre os sintomas mais comuns estão:
• coceira intensa
• pequenas bolhas
• vermelhidão
• lesões em joelhos, cotovelos, nádegas e costas
Em muitos casos, os sintomas melhoram após a exclusão adequada do glúten da alimentação.

Exames necessários
Mesmo que você se identifique com um ou mais sintomas, eles também podem estar relacionados a outras doenças. Por isso, o mais indicado é procurar avaliação médica para confirmar o diagnóstico.
Os exames podem incluir avaliação clínica, exames de sangue com marcadores específicos e, em alguns casos, endoscopia com biópsia do intestino delgado. Esses exames ajudam a identificar alterações relacionadas à doença celíaca.
Importante: retirar o glúten da alimentação antes da investigação médica pode interferir nos resultados dos exames.
Doença celíaca pode matar?
Essa é uma dúvida comum. A doença celíaca normalmente não representa risco imediato à vida quando diagnosticada e tratada adequadamente.
No entanto, quando permanece sem diagnóstico durante muitos anos, podem surgir complicações relacionadas à má absorção de nutrientes.
Entre elas:
• anemia grave
• osteoporose
• desnutrição
• infertilidade
• complicações intestinais
Casos prolongados sem tratamento podem aumentar riscos e afetar diferentes áreas da saúde. O diagnóstico precoce é importante para evitar complicações.
Tratamento
O tratamento consiste principalmente na retirada completa e permanente do glúten da alimentação. Atualmente, esse é o principal cuidado para controlar os sintomas e reduzir inflamações intestinais.
Além disso, pessoas com doença celíaca precisam estar atentas à contaminação cruzada, situação em que alimentos naturalmente sem glúten entram em contato com utensílios, superfícies ou ingredientes contaminados.
O acompanhamento nutricional também é importante para ajudar na adaptação alimentar e garantir equilíbrio nutricional.
E quais são os alimentos sem glúten?
Já falamos neste artigo sobre a importância de escolher corretamente os alimentos da rotina. Algumas opções naturalmente sem glúten incluem:
Proteínas: carnes, aves, peixes e ovos.
Frutas: frutas em geral.
Vegetais: legumes e verduras variados.
Grãos e farinhas: farinha de arroz, farinha de mandioca, quinoa, fécula de batata, amido de milho e goma de tapioca.
Laticínios: leite, queijos, manteiga e iogurte.
Além da escolha dos alimentos, também é importante observar a rotulagem dos produtos industrializados e verificar a informação sobre presença ou ausência de glúten.
Leia mais: O intestino desempenha funções que vão muito além da digestão. Saiba como funciona a ligação entre cérebro e intestino e entenda seus impactos no organismo
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